Hora do Parto

Depois de nove meses, está na hora. Sabemos que a expectativa e o medo estão presentes nessa hora, o momento crucial: o parto.
Mas as vezes parece que nove meses foram curtos para tomar a melhor decisão sobre qual o tipo de parto optar. Você já conversou com seu parceiro, pesquisou vídeos na internet, pediu opiniões à médicos e a amigas que já passaram pela experiência, mas mesmo assim a dúvida continua lá.

Claro que existem situações onde não há possibilidade de escolha, e embora a cesariana seja indicada em certos casos, o parto normal, ou natural, continua sendo consenso sobre a melhor forma de dar à luz.

Mas mesmo com todos os dados sobre os benefícios que o parto normal trazem à mamãe e ao bebê, o Brasil continua registrando um número muito superior de cesarianas, são 39% (Sinasc) de cesarianas realizadas em solo nacional, número muito mais do que os 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Benefícios do Parto Normal

Os benefícios vão desde uma melhor recuperação da mulher e redução dos riscos de infecção hospitalar até uma incidência menor de desconforto respiratório do bebê.

Além disso, a cesariana pode também interferir no vínculo estabelecido entre a mãe e o filho durante o parto. Isso porque existe um vínculo maternal estabelecido logo após o parto natural, quando o neném é acolhido e abraçado pela mãe, mas após a cirurgia cesariana, pegar o neném no colo fica quase impossível porque este ato se torna extremamente dolorido e, como o bebê geralmente é levado para observação, a instalação do vínculo pode demorar mais.

Na cesariana, também é mais freqüente a ocorrência de infecção e hemorragias, além da possibilidade de laceração acidental de algum órgão, como bexiga, uretra e artérias, ou até mesmo do bebê, durante o corte do útero. A gestante pode, ainda, ter problemas de cicatrização capazes de afetar a próxima gravidez. A freqüência dessa cirurgia também limita a possibilidade de opção pelo número de filhos. Nenhum médico deixaria uma mãe chegar a realizar seis cesarianas; geralmente as mães são esterilizadas após a terceira cirurgia.

Outro dado importantíssimo contra a cesariana é que a incidência de morte materna associada a este tipo de parto é 3,5 vezes maior do que no método natural. Os riscos são inerentes à própria cirurgia, a começar pela anestesia, em que a possibilidade de uma reação é imprevisível.

Quando o parto cesariana é indicado

Existem algumas situações que levam à indicações absolutas e relativas para a realização da cesárea. O Parto cesariana é indicado como um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê quando uma delas - ou as duas - está em risco. As indicações absolutas mais tradicionais são: desproporção céfalo-pélvica (quando a cabeça do bebê é maior do que a passagem da mãe); hemorragias no final da gestação; ocorrência de doenças hipertensivas na mãe específicas da gravidez; bebê transverso (atravessado); e sofrimento fetal. A ocorrência de diabete gestacional, ruptura prematura da bolsa d?água e bebê com trabalho de parto prolongado são consideradas indicações relativas para a cesariana.

O Ministério da Saúde acrescentou, recentemente, outra indicação para essa cirurgia. É o caso de gestantes portadoras do vírus HIV. A cesariana passou a ser agendada nessas situações porque se descobriu que a hora do parto é o momento de maior troca sanguínea entre a mãe e o bebê. Dessa forma, a cirurgia programada reduz os riscos de transmissão do vírus.

Prematuridade Iatrogênica

Este é um problema relacionado ao parto cesariana que é pouco divulgado. A Prematuridade Iatrogênica acontece quando, por conveniência, se agenda uma cesariana - também por supor-se que o bebê está maduro, o que nem sempre ocorre e o bebê nasce prematuro.

Isso acontece principalmente nos hospitais privados, quando as cesáreas são agendadas por conveniência.

Uma vez cesárea, sempre cesárea – um mito

Muitas pessoas acreditam que após a realização de uma cesárea as mulheres não podem ter um parto normal. Mas isso não passa de um mito associado à falta de informação, tanto das gestantes quanto de profissionais de saúde não treinados para acompanhar um parto normal em mulheres que já tenham passado por essa cirurgia.

Já existem estudos comprovando a possibilidade de ter filhos pela via vaginal nesses casos. O que não se recomenda é induzir o parto. Ou seja, usar alguma substância, geralmente a ocitocina, para acelerar o trabalho de parto, aumentando a força das contrações e diminuindo os intervalos entre elas.

É fundamental permitir que a natureza conduza o processo de parir e de nascer, respeitando a forma natural. O corpo da mulher tem um conhecimento intuitivo de como ter filhos, e a forma natural de parir pode ser muito gratificante para a mãe e seu bebê.

Fonte: Ministério da Saúde

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