Um pai na gravidez

Fui pai com 19 anos. Morava com meus pais e estava namorando a apenas 6 meses quando ela engravidou. Não preciso mencionar que a gravidez não foi planejada e nós, adolescentes despreparados, encontramos o maior dilema de nossas vidas.

Eu não tinha trabalho formal, fazia serviços com meu pai e ganhava pouco para sustentar um filho. Ela nunca havia trabalhado, vivíamos uma adolescência inconseqüente e imediatista como todo jovem, uma gestação veio para mudar tudo.

Primeiro vieram os sintomas da gravidez, ela havia passado mal durante uma viagem até o centro da cidade, ela tinha apenas 17 anos e sentia tontura no ônibus e náuseas, mas o padrasto não desconfiou. Quando voltaram para casa, ela me ligou preocupada, já estava desconfiada.

Decidimos que não diríamos nada a ninguém até que a gravidez se confirmasse. Fomos até o hospital mais próximo, onde ela se submeteu aos exames. Dois dias depois – e mais alguns sintomas – fomos recolher os resultados.

Confirmada a gravidez, o desespero bateu em mim. Todas as questões que ocorrem em uma gravidez não planejada se abateram sobre mim e sobre ela também. Ela falou em aborto, possibilidade que neguei na hora. Teríamos que assumir as conseqüências de nosso ato inconseqüente. O primeiro passo, obviamente, seria comunicar a família. Esse parecia ser o ponto mais difícil naquele momento, como reagiria minha mãe? Certamente seria como o fim do mundo para ela. E os pais dela? Seriamos repreendidos com certeza, mas também era certo que, depois de passado o susto nos ajudariam, sei que não nos deixariam na mão.

Fui falar como eles. Minha mãe foi a primeira a saber, sozinho, criei coragem e falei pra ela enquanto assistia televisão. Como era de se esperar, foi um golpe. Um dos momentos mais difíceis da minha vida foi falar pra minha mãe algo que eu sabia que iria machuca-la. Falar para o meu pai foi mais fácil, escutei calado o sermão. Prometi que iria fazer de tudo pela criança.

Falar com os pais dela foi muito mais tenso para mim, porém mais fácil. Ela não conseguiu falar sozinha e pediu para que eu estivesse junto. Fui e juntos falamos. Mais uma vez baixei a cabeça para o sermão. Dali pra frente, tudo mudaria.

Não nos casamos, mas ficamos juntos. Consegui um trabalho como motorista entregador de lacticínios e assim comprei, com a ajuda de meus pais, o enxoval necessário para a chegada do bebê. Acompanhei todos as visitas ao médico e ultra-som. Estava presente na primeira imagem captada, ainda dentro do útero, estava presente quando o médico confirmou que era uma menina e estava muito saudável. A medida que a gravidez avançava, sintomas iam se alterando. Ela ficou com enjôo de mim, eu não podia me aproximar muito. Mas estava sempre lá. Acompanhei também o parto, vê-la nascer foi o maior presente que recebi de Deus.

Hoje estou perto dos 30 anos. Eu e a mãe dela estamos separados, mas vejo minha filha praticamente todos os dias e conheço de perto os desafios e as alegrias de uma gestação. A importância da figura paterna e a segurança que isso traz a mãe e ao bebê são fundamentais para a saúde de todos. Tudo está bem e espero que, com esse relato, eu possa ajudar pessoas que se encontram e situação semelhante.

MRD

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